Ok, agora você pode ter se
decepcionado muito em ver um review sobre Kanye West. Admito que
minha relação com artistas de rap/hip-hop nunca foi das melhores.
Apesar de secretamente nutrir algum interesse em relação a percução
em alguns casos e com as rimas em outros e com os elementos
eletrônicos em (outros) outros ainda.
Haha.
Caso desse gênero que sempre me
chamaram a atenção:
Gorillaz Rock Da House
Electro Cypher Une Aure Dimmension
Blowback do Tricky
Missy Elliot já me chamou a atenção
O Faithless também tem sua cota
Princess Superstar
Gonzales
Alguma coisa do Massive Attack tem a ver
Colcut às vezes
E The Streets.
Além da latência disso no Cassius e no Daft Punk.
A relação com o Daft Punk é que me
levou ao Kanye pela primeira vez, quando em algum ponto em 2007 vi
o videoclipe de "Stronger", que contem a participação dos próprios
heróis-robôs. Esta música contém um uso de sample muito bom! Tao
criativo quanto o que o Daft Punk costumeiramente faz.
Dai, dias atrás, wikipediando como
sempre, vejo que o Kanye havia lançado um álbum novo que tinha 808
no nome. Bom, sabendo que ele flerta (e muito) com o eletrônico, e
que 808 é um tipo de máquina de percução eletrônica muito bacana,
fui procurar ouvir o álbum.
E tive uma surpresa deveras
agradável. Neste disco, ele tenta se distanciar um pouco do gênero
hip-hop e o disco parece mais um álbum pop virtuoso, que leva a
experimentação com parafernalhas eletrônicas a um nível muito alto,
do que mais um pimp bling bling.

O álbum está longe de ser uma
obra-prima, ele tem sim pontos fracos, experimentações que não
deram muito certo ou momentos que pecaram por excesso ou falta. Mas
em geral, a sensação é de acessibilidade. qualquer um é capaz de
ouvir esse álbum e se interessar por ele de alguma forma, seja você
o electro-house rave goer ou o rapper
vidaloka.
O álbum começa com "Say You Will"
que abre com uma batida eletrônico em que Kanye canta mais do que
faz rap. A ausência de batidas nessa me fez prestar atenção total,
esperando o que ia acontecer... Quando ao final descobri que não
aconteceu, pensei: Uau, diferente, gostei.
A voz do Kanye é interessante. Ele
não tem a rouquidão ou o grave tão comum dos rappers
norte-americano. E com a ajuda do recurso de computador
auto-tune neste disco, ele consegue distorcer a voz pra
ficar mais aguda em várias músicas. Mais um exemplo da tecnologia
para o bem. Hehehe.
A segunda faixa, "Welcome to
Heartbreak", apesar de mais hip-hop abusa dos sintetizadores. Muito
agradável. Muito pop. Faria um sucesso tremendo pra quem não é fã
do hip-hop. Mas não sei bem se o interesse comercial por trás do
Kanye quer isso. Pois as escolhas para singles até então, "Love
Lockdown", a quinta faixa do CD e "Heartless", a terceira, são as
faixas mais parecidas com seus trabalhos anteriores, e as que ousam
menos fora do território do hip hop.
Só que para minha alegria, na
sequência vem "Paranoid" (06) e "Robocop" (07). Eu confesso que não
ouvia algo que me deixasse tão maravilhado com o eletrônico desse
tipo desde os 2002/3 quando TUDO tinha dedos no computador. Duas
canções muito espirituosas e divertidas. Além de animadas e
criativas.
As faixas 08 e 09, São lentas, e
pra mim, são os pontos baixos do disco. Nada acontece e começo a
devanear, pensando que vou ter que mudar de CD.
Logo após, "See you in my
Nightmares" também é lenta ,assim como "Coldest Winter," só que
novamente os sintetizadores e manipulação da voz me prenderam a
atenção. Na última, a repetição dos vocais me fez pensar que a
música é ótima pra quem está começando a aprender Inglês e quer
praticar o listening.
Agora, eu me abstenho de comentar a
última faixa, ao vivo, chamada "Pinocchio Story". Com o nome, você
já deve imaginar do que trata a letra. E nada acrescenta ao
álbum.
Contudo, sob minha visão de mundo,
acho que este artista foi bastante feliz em querer experimentar
mais e tirar o pé um pouco do chão firme comercial que ele
conseguiu pra si. Issso me faz ter esperança novamente na
criatividade que possa surgir no mainstream, em meio à quase cinco
anos em que tudo soa mais do mesmo.
Vou ainda ler as críticas oficiais
pra ver se sou só eu pensando assim.
Obrigado, Kanye West.